TRAGES DO GAUCHO





A Vestimenta do Gaúcho 

 Os indígenas estavam espalhados no Rio Grande do Sul, dividindo-se em grupos.

Os Guaranis se localizavam a noroeste da cidade de Porto Alegre. Eles eram agricultores, usavam o porongo por cuia, o fogo de chão e as redes para dormir. O agrupamento de várias tribos Guaranis, tornou difícil para os jesuítas integrar a moral aos seus hábitos. A nudez era contestada pela moralidade e a promiscuidade entre as mulheres indígenas e os homens brancos, favorecia a prostituição, por isto, os jesuítas se preocuparam em vesti-los.

Supõe-se que o chiripá tenha sido a primeira peça usada. Outra peça foi o Tipoy que é uma camisa formada de dois panos costurados nos lados e com aberturas para os braços e cabeça, às vezes, tinham um cordão na cintura.

O frio do pampa Rio-grandense obrigou os índios a se vestirem melhor. Usavam mantas chamadas de Caipi. Esta manta era geralmente de pele de animais.

Em 1816 os índios usavam bicuis (peitoral indígena), junto com a tanga. Nesta mesma data apareceu o ponche bichará. .

Mais tarde os índios, vivendo com os ibéricos, começaram a se vestir de uma maneira Européia.

 A nova cultura ensinou o índio a tecer os fios e confeccionar camisas e calçados.

Com a chegada dos tropeiros, que vestiam roupas desconhecidas, aos poucos eles foram imitando. Usavam roupas adequadas à lida campeira.

Os peões usavam colete e uma ceroula larga e longa até debaixo dos joelhos, de algodão.

As mulheres indígenas usavam os seios nus e cobriam suas cinturas com um chiripá. Andavam geralmente de pés descalços. Mais tarde começaram a usar uma camisa de algodão com um xale nas costas, que elas próprias teciam e tingiam com raízes de plantas.

Por volta de 1730 iniciou-se no RS a distribuição de sesmarias, de gado e de terras, chamadas de estância. Os peões gaúchos tornavam-se agressivos e ai apareciam os escravos negros.

Em 1752 sua indumentária era muito simples.

Os açorianos trouxeram o chapéu de abas largas, os chinelos, as bragas, os tamancos e as botas.

As mulheres se vestiam com mantilhas, véus, fichus, mantas, espartilhos, cintos, meias, sapatos e um jaleco.

 Estas vestimentas eram elegantes e a vida simples do RS e as lidas campeiras, não pertenciam usar este tipo de roupa para o trabalho.

A roupa, portanto, tornou-se simples, os pés foram calçados com tamancos e na cabeça, chapéus de palha. Em 1807, o Rio Grande do Sul foi promovido à Capitania Geral e os pecuaristas foram enriquecendo.

O gado foi introduzido no estado e o gaúcho começou a lidar com ele. Para isto, começou a usar um avental de couro cru (tirador), pois fazia muita força nas lidas com o gado. Usava uma camisa, uma jaqueta sem mangas, um par de ceroulas com franjas compridas e às vezes um par de calças por cima.

Na cabeça um lenço amarrado, um chapéu e quando frio um ponche.

Nos pés botas de garrão de potro que podiam ser abertas com os dedos de fora e esporas de ferro, amarradas com cintos de couro cru.

No chapéu ou na cintura traziam uma bolsa de couro, onde colocavam fumo.

Usavam botas também presas aos joelhos e outros usavam meias com os pés descalços, com espora amarrada direto nos calcanhares.

Todos usavam chapéu alto, de forma cônica, de feltro e uma faca afiada na cinta.

Os estancieiros usavam roupas de origem Européia : botas de garrão, esporas com rosetas pontiagudas (nazarenas), ceroulas longas com crivos nas extremidades e sobre estas, calças de veludo justas nas coxas indo até logo abaixo dos joelhos.

Usavam uma faixa na cintura que podia ser vermelha, preta ou azul. A camisa de linho, seda ou algodão, com rendas e um colete ou jaqueta tipo um casaco reto que termina na cintura.

Em 1810 o ponche de algodão passou a ter cores vivas e franjas multicores.

As damas usavam uma mantilha,(um quadrado de seda, enfeitada com rendas), que era presa na cabeça caindo sobre os ombros. Usavam meias e sapatos de cores vistosas.

As mulheres mais pobres usavam um casaco comprido, feito de casimira e as escravas, uma bata simples e sempre descalças.

 No início do século XIX os Rio-grandenses começaram a misturar o chiripá (origem missioneira), com as ceroulas de algodão e botas (origem européia). Usava as ceroulas por dentro das botas de garrão e também o chiripá.

As boleadeiras eram feitas de pedra (origem indígena), agora eram forradas com couro.

O chapéu se tornou mais presente entre os gaudérios que agora podiam comprá-lo.

 A faca, a guaiaca, o lenço, o pala, o chimarrão, o laço e o cavalo sempre foram fundamentais para o gaúcho. A mulher campeira vestia-se com simplicidade. Usava uma saia comprida e rodada com uma blusa.

A VESTIMENTA GAÚCHA DE 1730 ATÉ 1820 ESTANCIEIRO

- Meias e ceroulas de crivos ou de rendas

- Botas de garrão

- Esporas de prata

- Gibão de veludo

- Colete de seda ou algodão

- Camisa de linho

- Na cintura, um cinturão sobre a faixa, com uma pistola

- Na mão o chicote

- Na cabeça o lenço e o chapéu de feltro com barbicacho de seda

- No ombro o pala de seda ou lã de vicunha PEÃO

- Pés descalços ou botas de garrão abertas na frente amarradas nos joelhos

- Esporas - Ceroulas por dentro das botas

- Chiripá

- Cinturão de couro sobre a faixa de tecido

- Boleadeiras e pistola presa na cintura

- Faca nas costas

- Camisa branca de algodão

- Colete e ponche bichará

- Chapéu de palha ou de feltro ESTANCIEIRA

- Sapatos e meias de seda

- Anágua e corpete

- Vestido de seda ou algodão

- Leque e lenço na mão

- Jóias

- Xale

- Na cabeça

- fita e flores MULHER CAMPEIRA

- Saia rodada

- Camisa longa até os joelhos de algodão

- Pés descalços

 A VESTIMENTA GAÚCHA DE 1820 ATÉ 1865 ESTANCIEIRO

- Botas russilhonas

- Esporas de prata

- Calças por dentro das botas

- Faixa na cintura com enfeites de moedas

- Camisa de algodão ou seda branca com rendas

- Gravata de seda

- Colete de seda ou algodão

- Gibão de veludo ou lã com botões de prata

- Chapéu de copa alta

- Nas costas

- faca

- Na mão

- chicote PEÃO

- Botas fortes ou de garrão

- Esporas de ferro ou prata

- Ceroulas de franja

- Chiripá tipo fralda

- Faixa na cintura

- Camisa branca

- Colete de algodão ou seda

- Gibão e lenço no pescoço

- Ponche

- Chapéu, tirador e laço ESTANCIEIRA

- Vestido longo de seda ou veludo

- Broche e brincos

- Cabelos presos com travessa ou flores

- Leque na mão

- Mantilha sob os ombros

MULHER CAMPEIRA

- Blusa de manga em rendas

- Saia longa e rodada com babados ou pregas

- Casaquinho cortado na cintura

- Travessa ou flores no cabelo

- Meia e botinas curtas nos pés

VESTIMENTA DO GAÚCHO DE 1865 ATÉ 1950 O GAÚCHO DA CIDADE

- Camisa branca

- Terno completo: calça, colete e paletó

- Gravata de nó ou borboleta

- Chapéu de feltro

- Sapatos

- Relógio no bolso do colete

 O GAÚCHO FAZENDEIRO

- Bombachas

- Botas fortes

- Esporas de prata

- Colete

- Camisa e lenço

- Na cintura

- uma faixa e a guaiaca

- Chapéu

- Pala

A GAÚCHA DA CIDADE

- Vestido de seda

- Fichu de rendas

- Leque

- Sombrinha

- Broche e brincos

- Nos pés

- botinas ou sapatos fechados

A GAÚCHA FAZENDEIRA

- Saia e blusa ou vestido PEÃO

- Bombachas com favos de abelha

- Alpargatas ou botas fortes

- Esporas de ferro

- Chapéu ou boina

- Camisa branca, listrada ou xadrez

- Guaiaca, faixa e ponche

- Lenço no pescoço

VESTIMENTA DO GAÚCHO DE 1950 ATÉ OS NOSSOS DIAS PEÃO

- Bombacha

- Alpargatas ou botas fortes

- Esporas de ferro

- Chapéu

- Camisa

- Guaica e ponche

- Lenço no pescoço

PRENDA

- Vestido com saia rodada e babados

- Fichu em rendas ou crochê preso pelo broche

- Meias brancas

- Bombachinhas

- Sapatos pretos

- Xale de lã, renda ou crochê

A Lei nº 8.813 de 10 de janeiro de 1989 oficializou o uso da pilcha gaúcha como traje oficial do gaúcho, representando a imagem que exalta o Homem que usa a bombacha e a Mulher que usa o vestido de Prenda. O gaúcho de hoje e sempre é um homem simples e hospitaleiro. É o brasileiro Rio-grandense do sul que conhece o seu Estado e honra a sua tradição. Respeita os símbolos de sua terra, a pilcha, o churrasco e o chimarrão. Representa muito bem o Rio Grande do Sul e sabe o que é ser GAÚCHO TCHÊ!